O Bem que vem do Mal.

Julho 8, 2008

Não sei porque alguém decide pela busca do próprio Eu, mas sei que é uma busca difícil e sem volta. A cada nova descoberta um novo questionamento se apresenta e você tem que encontrar a resposta e acaba num círculo.

Muito do que somos está escondido, e muito bem escondido, são defesas que criamos perante as realidades que enfrentamos, são armas que o inconsciente cria, sem nosso conhecimento e consentimento.

Quantas vezes condenamos ou enaltecemos alguém por uma determinada ação, sem saber, ou lembrar, que um ato para ser julgado no campo da Ética deve ser avaliado sobre as seguintes premissas:

Os fins não justificam os meios. Muitas ações aparentemente boas, são na verdade sedativos a uma carga de culpa carregada pelo seu agente. Assim como uma ação aparentemente má é na verdade o resultado de uma reflexão de uma mente livre de agentes de juízos, como é o caso da culpa ou da raiva.

Talvez, apenas talvez, existam indícios se atrás de um ato aparentemente de bondade ou compaixão, p. ex:

-         Se um ato é muito divulgado pelo seu agente, deve haver uma segunda intenção nele.

-         Se o agente carrega culpa ou raiva, seus atos estão comprometidos.

-         Se o agente não se conhece pode estar sendo manipulado pelas defesas criadas no inconsciente.

O caminhar em busca do Eu, pode ser compreendido pelo inicio da Divina Comédia de Dante, onde esta:

“Quando eu me encontrava na metade do caminho de nossa vida, me vi perdido em uma selva escura, e a minha vida não mais seguia o caminho certo. Ah, como é difícil descrevê-la! Aquela selva era tão selvagem, cruel, amarga, que a sua simples lembrança me traz de volta o medo. Creio que nem mesmo a morte poderia ser tão terrível. Mas, para que eu possa falar do bem que dali resultou, terei antes que falar de outras coisas, que do bem, passam longe”.

Ou ainda podemos citar um trecho de Sidarta de Hermann Hesse:

Sidarta começava a abrigar em suas entranhas o descontentamento. Começava a sentir que nem o amor do pai, nem o da mãe, nem tampouco o do dedicado Govinda teriam sempre e a cada momento a força de alegrá-lo, de tranqüilizá-lo, de nutri-lo, de bastar-lhe. Começava a vislumbrar que seu venerando pai e seus demais mestres, aqueles sábios brâmanes, já lhe haviam comunicado a maior e a melhor parte dos seus conhecimentos: começava a perceber que eles tinham derramado a plenitude do que possuíam no receptáculo acolhedor que ele trazia em seu íntimo. E esse receptáculo não estava cheio; o espírito continuava insatisfeito; a alma andava inquieta; o coração não se sentia saciado. As abluções, por proveitosas que fossem, eram apenas água; não tiravam dele o pecado; não curavam a sede do espírito; não aliviavam a angústia do coração”.

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