Virtude para o Povo.

Julho 10, 2008

Em abril deste ano aconteceu o ciclo de palestra Vida Vicio Virtude, na Academia Brasileira e Letras, organizado por Adauto Novaes. Na apresentação o filósofo Renato Janine Ribeiro diz “Nosso tempo não favorece os temperados.”, diz ele que o vício da intemperança, é o negativo de uma virtude, a temperança. Muitos tópicos sobre “virtude” serão abordados. Vamos tentar falar sobre virtude. Segundo Aristóteles: (384-322 a.C.) - Ao conceito já esboçado como hábito, isto é, de qualidade ou disposição permanente do ânimo para o bem, ele acrescenta a análise de sua formação e de seus elementos. As virtudes não são hábitos do intelecto como queriam Sócrates e Platão, mas da vontade. Para Aristóteles não existem virtudes inatas, mas todas se adquirem pela repetição dos atos, que gera o costume (mos), donde o nome virtude moral. Os atos, para gerarem as virtudes, não devem desviar-se nem por defeito, nem por excesso, pois a virtude consiste na justa medida, longe dos dois extremos.

Depois de ler alguns livros e depois de pensar muito, quando leio sobre o que é produzido por mentes poderosas e vejo a realidade da vida, ou seja, abandono, injustiça, preconceito e tantos atributos que estamos incorporando, frutos da dificuldade em sobreviver, e também resultado da doutrina que nos vai sendo imposta pela sociedade de consumo, doutrina esta, para a qual só interessa que sejamos consumidores de supérfluos.

Como falar sobre, p.ex. Virtude para quem não tem dinheiro para comprar livros, ou para quem não tem interesse em ler, e muito desse desinteresse é cultivado pelo poder.

Ao Poder; churrascos e futebol de final de semana, carnaval, e outros dopantes sociais são mantenedores do foco da atenção pública no que lhes interessa.

Nesta selva e para seus habitantes “normais”, não os filhos da classe dominante que recebem o melhor da produção intelectual humana para continuarem sendo dominantes, talvez Virtude seja:

Tentar sobreviver se “prostituindo” o mínimo possível.

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