Vou embora.
Julho 10, 2008
Os Dantas foram libertados, claro, não poderíamos esperar um final diferente para quem tem poder, e poder pode ser traduzido por dinheiro.
Fiquei lembrando de uma moça que foi presa, já há algum tempo, por ter roubado um pote de manteiga ou margarina. Não tem jeito e se torna tão normal que não existe mais espanto no diferencial sofrido por quem é poderoso e a massa miserável, o que fazer com os pais que perderam um filho morto em tiroteio no Rio, adianta alguma explicação?
Vi algumas fotos de trabalhadores na China e na Índia, não é trabalho é escravidão. Vejo anúncios de avanços da ciência que prometem curas fantásticas e o que fazer com os miseráveis que ficam horas em filas de Emergências a espera de um atendimento? O que adiante evoluir a Economia se a massa não tem acesso ao básico?
Estamos no caminho errado, trabalhamos feito burro de carga, apenas para sobreviver, enquanto pessoas como os Dantas curtem a vida.
“O bolo precisa crescer para depois dividir” lembram desta frase?
Ela é verdadeira, só que ele não disse quem iria ganhar uma fatia do bolo, e não somos nós.
A revolução Industrial veio, criou milhares de “empregos”, muitos morreram tentando conseguir melhores condições de trabalho conseguiram. Mas logo a tecnologia veio e rouba dia a dia posto de trabalhos, um exército cresce as portas das Empresas pedindo uma oportunidade, mas vem um contingente maior ainda saindo demitidos em prol de uma maior lucratividade.
Acabaremos em uma nova Era feudal. Acabo pensando que quem estava certo é Manuel Bandeira, quando escreveu:
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra PasárgadaEm Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


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