Eu não tenho um sonho.

Julho 12, 2008

Até quando mataremos nossas crianças? Ou alguém de classe social diferente, com uma empregada doméstica? Até quando agrediremos nosso semelhante por vestir uma camisa de um time que não é o nosso? Até quando teremos prazer em botar fogo em um morador de rua?

Até onde pode ir a crueldade humana? Parece não ter fim.

Quando mais estudamos, criamos leis, colocamos representantes para fiscalizar as leis, mais a crueldade impera.

Esquecemos rápido demais, no século passado, um homenzinho ridículo, com um bigodinho mais ridículo ainda, mas um brilhante orador, convenceu a quase totalidade de uma nação que alguns seres humanos não deveriam viver entre eles, o resto da história já sabemos; milhões de judeus mortos das maneiras mais hediondas possíveis.

Quando aceitaremos que somos todos diferentes e isso é normal? Pior é que se nos atermos a alguns pensamentos do homem isso é claro, por exemplo:

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 10 de dezembro de 1948 esta escrito no Artigo III.

 “Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”.

Esta é uma idéia que nasceu com o filósofo John Locke (1632 – 1704), que dizia:

“O maior e principal objetivo dos homens se reunirem em comunidades, aceitando um governo comum, é a preservação da propriedade”, não entenda propriedade como bens materiais, pois segundo Locke; a primeira e mais importante propriedade de alguém é seu corpo, sua vida.

Ainda na mesma Declaração esta no artigo V 

“Ninguém será submetido à tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes”.

Basta ligar a TV para confirmar que a realidade é muito diferente. No estudo da Ética, existe uma passagem, chamada; A Lei de Ouro (golden rule).

Esta norma surge em diferentes épocas e culturas, e não apenas na tradição judaico -cristã, como muitas vezes é afirmado. A sua redação algumas vezes tem uma abordagem beneficente, de fazer o bem, outras vezes não-maleficente, de evitar o mal. Todas, contudo, têm o mesmo objetivo: preservar a dignidade da pessoa humana.

Rabi Hillel (60 aC - 10 dC)
 “Não faças aos outros o que não queres que te façam”.
Jesus Cristo (c30 dC)
 “Tudo o que vocês quiserem que as pessoas façam a vocês, façam-no também a elas”.
Mateus 7,12 e Lucas 6,31

Ainda no estudo da Ética, temos Immanuel Kant (1724 – 1804), que em  seu livro: Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), expressa o Imperativo Categórico:

“Aja somente conforme aquela máxima pela qual simultaneamente você pode desejar que tal ato torne-se uma lei universal”.

Sei que tudo isso que escrevo é mais desabafo perante a realidade, do que qualquer outra coisa, nada vai mudar, continuaremos a sermos cruéis e intolerantes. Mas gostaria de finalizar esse desabafo com o final do famoso discurso de Martin Luther King em 28 de agosto de 1963 em Washington D. C.

“ When we freedom ring, when we let ring from every village and every hamlet, from every state and city, we will be able to speed up that day when all of God’s children, black men ans White men, Jews and Gentiles, Protestants and Catholics, will be able to join hands and sing in the words of the old Negro spiritual, “Free at last! free at last! thank God Almighty, we are free at last! ”

 

Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: “Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!”.

 

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